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Ex: Abel Magalhães, Euclides da Cunha, Róger Noronha, etc.

Abel Magalhães

Abel Sauerbronn de Azevedo Magalhães nasceu em Cantagalo (RJ), em 1881, e faleceu em Niterói (RJ), em 1969. Foi juiz e político brasileiro.

Bacharelou-se em direito pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 1912, tendo sido ainda juiz de direito no estado, desembargador do Tribunal de Justiça fluminense (TJRJ) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Dirigiu a Faculdade de Direito de Niterói, da qual foi um dos fundadores, e pertenceu à Academia Fluminense de Letras (AFL), ao Instituto dos Advogados Fluminenses e à Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Enquanto exercia o cargo de presidente do Tribunal Regional Eleitoral, foi nomeado interventor federal no estado do Rio de Janeiro, em 6 de novembro de 1945, função que desempenhou até 10 de fevereiro de 1946.

Afonso Estebanez Stael

Advogado, poeta, jornalista e escritor fluminense, Afonso Estebanez Stael é verbete na “Enciclopédia de Literatura Brasileira” (vol. 1, pág. 562, 1990), composta pela Oficina Literária Afrânio Coutinho (Olac), organizada por Francisco Igrejas e editada pelo Ministério da Educação e Cultura e Fundação de Assistência ao Estudante do Rio de Janeiro, e apontado também como verbete da literatura brasileira no “Dicionário de Poetas Contemporâneos”, organizado por Francisco Igrejas e editado por Oficina Letras & Artes, 2ª Edição, 1991 (págs. 25/26).

Afonso Estebanez Stael nasceu em 30 de outubro de 1943, em Cantagalo (RJ), filho de Manoel Stael e de Francisca Estebanez Stael, descendentes de ancestrais ciganos emigrados para a Espanha e de alemães de origem judaica radicados nas regiões agrícolas da Bélgica, que posteriormente imigraram para o Brasil, entre 1820 e 1930. Cursou o Ensino secundário no Seminário Arquidiocesano do Rio de Janeiro (1956/1962) e superior nas faculdades de Direito e de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (1965/1970). Finalista nos 1º, 2º e 3º Torneios Nacionais da Poesia Falada patrocinado pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro (1968/1969/1970). Vencedor do Primeiro Concurso Estadual de Poesia do Advogado Fluminense (1987). Exerceu a advocacia desde 1968 e ocupou o cargo de Oficial de Justiça Avaliador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região (1993), aposentando-se quando lotado na Vara do Trabalho de Cordeiro (1999), por cuja instalação lutou como secretário Geral de Administração daquele município (1992), onde se destacou como um dos fundadores da 45ª Subseção da OAB/RJ.

Tem obras publicadas em livros, jornais e revistas. Recentemente, concorrendo com o poema “O Último Dia de Trabalho do Pôr-do-sol no Mar” e com a crônica “Trabalho como Escrevente de Pequenos Príncipes”, venceu, em julho de 2007, o Primeiro Concurso Interno de Literatura do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT- Rio), nas duas categorias (prosa e verso), com premiação em obras literárias famosas oferecidas pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Tem página pessoal em formatação no site de Alma de Poeta (www.almadepoeta.com/afonsoestebanezstael.htm), administrado pelo poeta e escritor Luiz Fernando Prôa.

Livros de poesia: Canção Que Vem de Longe, poesias (1966), J. Gonçalves Editora - Niterói/RJ; Livro de Viagem ou do Depoimento, poesias (1971), Editora Olímpica Ltda, Livraria São José, Rio de Janeiro/RJ; Em Tempo de Lótus, Lírios e Acácias...., antologia poética compartilhada com os poetas maçônicos J. Alves Filho e J. A. Galdino da Costa (1978), Papelaria Brasil Ltda - Niterói/RJ; Canto de Abrição e Outras Sinfolias de Beira-Campo, caderno de poesias e haikais (1988), Edição do Autor, Rio de Janeiro/RJ.

Amélio Arruda

Amélio Arruda Câmara nasceu em Cantagalo (RJ) no dia 21 de dezembro de 1930. Prematuramente perdeu seu pai e tornou-se arrimo da família, cuidando de sua mãe e mais quatro irmãos. Tal situação, ao invés de abater o jovem Amélio, criou nele um forte caráter de justiça e responsabilidade que o acompanha até hoje. Assim que chegou à adolescência, profissionalizou-se como eletricista e desenvolveu essa atividade na construção naval. Aos 27 anos, já casado e com um filho, iniciou seus estudos e treinamento de jiu-jitsu com o mestre Paulo Francisco Romito (já falecido), que se tornou seu amigo por toda a vida.

Nesse período, já idealizava a possibilidade de abrir uma academia, na qual poderia dividir e multiplicar seus conhecimentos. Em 1964, fundou a Academia Oriente, uma referência no ensino dessa arte marcial, situada atualmente na Rua Benjamin Constant, 385/3º andar - Barreto - Niterói (RJ).

A Academia Oriente tornou-se o seu 'segundo lar.' Nessas últimas décadas, pôde formar lutadores (alguns com projeção internacional) verdadeiramente conscientes da importância do jiu-jitsu, não simplesmente como uma luta, mas como uma arte que ajuda na superação pessoal e que afasta principalmente os mais jovens dos maus costumes e envolvimento com a violência e o uso das drogas, que afligem nossa sociedade nos dias atuais.

Hoje, mestre Amélio continua à frente da Oriente Jiu-Jitsu com os mesmos propósitos de sempre, ou seja, fazer do jiu-jitsu um elemento fundamental para se viver com mais dignidade.

Américo Castro e Quesada

Filólogo, ensaísta e historiador hispano-brasileiro nascido em Cantagalo (RJ), Américo Castro e Quesada foi mestre de sucessivas gerações de pesquisadores sobre a América hispânica dentro da civilização ocidental.

Filho de espanhóis, estudou na Universidade de Granada, Espanha, onde se formou em letras (1904). Ampliou os conhecimentos em Paris, França, onde foi discípulo de Ramón Menéndez Pidal. Na Institución Libre de Enseñanza, dirigiu o departamento de lexicografia e ocupou a cátedra de língua espanhola na Universidade de Madri, Espanha. Participou da política espanhola, antes da proclamação da segunda república e foi nomeado embaixador de Berlim, na Alemanha (1931).

Por causa da guerra civil, foi obrigado a exilar-se (1936) na Argentina, onde ministrou diferentes cursos. Também ensinou em várias universidades americanas, onde procurou ressaltar o caráter peculiar da Espanha dentro da civilização ocidental.

Morreu em Lloret de Mar, Barcelona, e, em sua ampla produção, se destacaram obras como 'El pensamiento de Cervantes' (1925) e 'La realidad histórica de España' (1954).

Em seu livro 'La Realidad Histórica de España', não falou da Espanha como nação até a chegada dos reis católicos e afirmou ainda que os visigodos não eram nem sequer espanhóis. Não negou as culturas não-cristãs, porém afirmou que dos europeus os espanhóis são os que menos contato tiveram com seu próprio passado.

Antonieta de Souza

Antonieta de Souza nasceu em Cantagalo (RJ) em 4 de setembro de 1893 e faleceu em 1976. Recebeu os prêmios medalha de ouro e viagem à Europa por unanimidade.

Antonieta de Souza fez carreira de cantora lírica atuando no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e em diversos estados do Brasil e cidades da Europa. Assumiu a direção do Conservatório Brasileiro de Música em 1948, entidade da qual foi membro fundadora, após a morte de Lorenzo Fernândez, permanecendo como diretora até 1976.

Augusto Brandão Filho

Augusto Brandão Filho nasceu em Cantagalo (RJ), em 1881, e faleceu em 1957. Foi professor de Clínica Cirúrgica da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ). Exerceu sua atividade cirúrgica no Hospital da Misericórdia, no Rio de Janeiro. Foi um dos mais hábeis cirurgiões de seu tempo e tinha também fino espírito científico. Foi o primeiro brasileiro a ir além da cirurgia do trauma e tentar o tratamento cirúrgico dos tumores cerebrais. Foi também o pioneiro dos exames neuroradiológicos em nosso país. Foi o primeiro a realizar no Brasil a ventriculografia e a angiografia cerebral. Na realização destes exames, contou com a colaboração de dois grandes vultos da medicina. Na ventriculografia, foi ajudado por Manoel de Abreu (1894-1962), futuro inventor, em 1936, da fotografia da imagem fluoroscópica, conhecida como abreugrafia. Na angiografia cerebral, foi auxiliado pelo próprio inventor do método, Egas Moniz, que em 1928 encontrava-se em visita ao Brasil.

No livro 'Tumores do Encéfalo: algumas observações comentadas', relata seis casos de intervenção sobre o crânio operados no período de 1927 a 1931 e a estes acrescenta um sétimo, publicado em 1924. Todos os casos foram operados em fase avançada de hipertensão intracraniana e faleceram. A indicação cirúrgica baseava-se apenas no exame neurológico e no exame radiológico simples do crânio. Apenas um caso foi submetido à ventriculografia.

Brandão Filho faz comentários pormenorizados sobre as causas dos erros de localização e sobre o insucesso do tratamento, tendo como base os grandes mestres da neurocirurgia do começo do século XX. Em cinco dos casos expôs o quiasma óptico e em dois, a fossa posterior. Em dois casos de exposição do quiasma óptico não foram encontrados tumor, o qual estava situado em outra região, como ficou demonstrado pela necropsia. A exploração da região do quiasma baseava-se no déficit visual e no exame radiológico simples de crânio, que mostrava deformação da sela turca.

O cantagalense Brandão Filho, com base nos trabalhos da literatura, identifica a causa do erro como sendo devida à não diferenciação das alterações da sela turca por acometimento primário de tumor hipofisário e por hipertensão intracraniana. Um tumor da fossa posterior, possivelmente neurinoma do acústico, não foi identificado devido à não exposição do ângulo ponto-cerebelar. O sétimo caso, submetido à ventriculografia, tratava-se de hidrocefalia e foi submetido à craniectomia da fossa posterior. Além da cirurgia dos tumores cerebrais, Brandão Filho realizou também o tratamento cirúrgico da neuralgia do trigêmeo. Relata dois casos, um operado em 1922 e outro em 1923, por meio da secção da raiz sensitiva do trigêmeo.

Brandão Filho expunha em pormenor a técnica cirúrgica empregada por meio de texto e ilustrações precisos. Em seus comentários, demonstrava estar a par dos trabalhos dos grandes mestres da neurocirurgia do começo do século XX. Além do título de "príncipe dos cirurgiões", merece também o de precursor da neurocirurgia no Brasil.

Clarí Galvão Novais Rocha

Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas, além de jornalista e bibliófilo brasileiro, Clarí Galvão Novais Rocha nasceu em Cantagalo (RJ), em 1844.

Foi fundador, em Nova Iorque (EUA), de jornais em português e, em Londres (Inglaterra), colaborou nos jornais The Times e The Financial News.

Regressando ao Brasil em 1890, comprou o Jornal do Commércio, que dirigiu até 1915. Além da participação em jornais, escreveu para revistas especializadas e publicou livros com temas diversos. Colecionador de livros raros brasileiros, doou seu acervo à Biblioteca Nacional. Faleceu em Paris, em 1913.

Clélio Erthal

Natural de Cantagalo (RJ), Clélio Erthal bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Niterói. Como advogado militante, foi eleito vereador e vice-prefeito de Itaocara, na Região Noroeste do estado, prestando concurso para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 1966, onde exerceu as funções de assessor Jurídico e chefe da Divisão de Contratos até 1973, quando foi aprovado em concurso, também nacional, para Procurador da República.

Como membro do Ministério Público Federal (MPF), representou-o junto ao Conselho Penitenciário do Estado e à Comissão de Entorpecentes, tendo sido o último chefe da Procuradoria da República no antigo Estado do Rio de Janeiro.

Aprovado em concurso promovido pelo Tribunal Federal de Recursos (hoje extinto), ingressou na magistratura federal em outubro de 1979. E como juiz federal exerceu por duas vezes a função de diretor do Foro da Seção Judiciária do Rio de Janeiro: a primeira durante o biênio de 1982/1983, e a segunda em 1989, quando teve de se afastar para integrar
o Tribunal Regional Federal (TRF).

Durante o primeiro mandato, criou uma comissão composta por funcionários da Seção Judiciária de Minas Gerais, postos à sua disposição pela Corregedoria do TRF, para sanear irregularidades no serviço de fornecimento de certidões, e ocupou o prédio situado na Avenida Rio Branco, 241, desapropriado. Nele, deu início às obras de construção do moderno edifício denominado Anexo I, ao lado da tradicional sede da Justiça Federal (antigo STF, hoje Centro Cultural da Justiça Federal) - função que conservou mesmo depois de terminado o prazo de sua gestão como diretor do Foro, na condição de Coordenador das Obras.

Inaugurado o prédio, foi designado pelo Conselho da Justiça Federal para coordenar a construção do Anexo II, com frente para a Rua México, no Centro do Rio de Janeiro. Voltando à direção do Foro, em 1989, acumulou novamente as tarefas até sua promoção para o Tribunal, em março desse mesmo ano.

No Tribunal, integrou inicialmente a Primeira Turma e o Conselho de Administração, bem como a comissão do primeiro concurso para a escolha de juízes federais substitutos, na condição de suplente. Criada a Quarta Turma, foi escolhido para presidi-la - função que exerceu até se aposentar, em janeiro de 1998.

Depois de aposentado, ainda ocupou, por escolha do plenário, o cargo de diretor da Escola de Magistratura Federal pelo prazo de três anos. Dentre os trabalhos jurídicos publicados, destacam-se: ‘Prescrição e Decadência no Anteprojeto do Código Civil’, publicado em arquivos do Ministério da Justiça, em 1977; e ‘A Decadência e a Prescrição no Código Tributário Nacional’, publicado em JUSTITIA, órgão do Ministério Público de São Paulo, em 1977.

Foi condecorado com Colar e Medalha do Mérito Judiciário, conferidos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em 1990; com Colar e Medalha Pedro Ernesto, conferidos pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 1996.

Recebeu homenagens prestadas pela OAB/Niterói, em 1989, quando da passagem do 23º aniversário da recriação da Justiça Federal; Homenagem prestada pela Subseção da OAB/Nova Friburgo, em 1997, em razão da inauguração da Vara Federal no município; e foi também homenageado pelo TRF da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), em 1998, pelos serviços prestados à Corte.

Contribuição à história de Cantagalo

Clélio Erthal, também pesquisador da história do município de Cantagalo, foi um dos principais responsáveis por levantar o questionamento sobre as comemorações do aniversário de emancipação político-administrativa do município, então realizadas em 2 de outubro. Em suas pesquisas, o pesquisador, como filho do município, se indignou com o equívoco das datas e deu início a um trabalho de conscientização sobre a importância da mudança de data para 9 de março, esta sim, que marca a autonomia político-administrativa de Cantagalo, já que o 2 de outubro se referia apenas ao recebimento do título de cidade.

Com o erro de datas, Cantagalo se apresentava até mais novo que outros municípios que se emanciparam de seus domínios, como Nova Friburgo. As pesquisas renderam debates, adeptos e levaram a prefeitura a decretar a mudança para a data correta, com as primeiras comemorações sendo realizadas em 9 de março de 2005.

Para a história de Cantagalo, Clélio Erthal também contribuiu com o lançamento de duas obras literárias, fruto de suas vastas pesquisas sobre a região: 'Cantagalo - da miragem do ouro ao esplendor do café', de 1992; e 'Cantagalo - do surto da pecuária à industrialização do calcário', de 2003.

Edmo Rodrigues Lutterbach

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Filho de Sebastião Henrique Lutterbach e Liberalina Rodrigues Lutterbach, Edmo Rodrigues Lutterbach nasceu na Fazenda Mont Vernon, município de Cantagalo (RJ), em 12 de outubro de 1931 e faleceu em 27 de setembro de 2011, aos 79 anos, em Niterói (RJ), onde morava. Seu corpo foi velado na Biblioteca Estadual de Niterói, sede também da Academia Fluminense de Letras. Foi sepultado no cemitério municipal de Macuco (RJ).

Antes de completar dois anos de idade, foi com os pais residir na Fazenda da Saudade, conhecidíssimo berço do genial autor de 'Os Sertões', Euclides da Cunha, nascido em 20 de janeiro de 1866. Tal fazenda foi também o solo de Aníbal Teixeira de Carvalho (ex-presidente da Câmara Municipal), nascido em 19 de maio de 1864. Formou-se em Direito e fez-se advogado, promotor de justiça, juiz municipal, vereador e presidiu a Câmara Legislativa de Cantagalo. Exerceu o cargo de secretário de Finanças e de Interior. Elaborou relatório apresentado ao presidente do Estado do Rio (dois volumes). Deputado federal, representou o Estado do Rio de Janeiro em Congresso Jurídico Americano.

Edmo Rodrigues Lutterbach fez o curso primário (hoje primeiro segmento do Ensino Fundamental) na Escola Pública Mont Vernon. Após, estudou, inicialmente, com a professora Jacyra Lima Farah, em seguida com Iracema Cypriano dos Santos, em Santa Rita do Rio Negro (hoje Euclidelândia, em homenagem ao escritor cantagalense Euclides da Cunha), fazendo um percurso de 16 quilômetros a cavalo, de segunda a sexta-feira. A admissão e o ginasial (hoje segundo segmento do Ensino Fundamental) foram feitos no Colégio Euclides da Cunha, em Cantagalo. Cursou ainda a Escola Técnica de Comércio de Cantagalo entre os anos de 1948 e 1953. No ano 1954, trabalhando em banco, requereu transferência para uma agência de Niterói, prestou vestibular de Direito, ingressou na Faculdade de Direito de Niterói, em 1956, bacharelando-se em 1960. Três anos depois - 1963/1964 - fez o curso de Doutorado no referido Templo.

No quinto ano do Curso Jurídico, apresentou a tese: 'A Família, Divórcio, Desquite, Casamento no estrangeiro.' Aprovada em 10 de setembro de 1960, foi sustentá-la na Universidade do Rio Grande do Sul, debatida também na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC-PR), por ocasião da X Semana Nacional de Estudos Jurídicos.

No primeiro ano do Curso de Doutorado, na referida Faculdade de Direito, já então integrada à Universidade Federal Fluminense (UFF), as teses exigidas versaram sobre 'Conceito de Crime Militar, Classificação dos Criminosos e Influência da Lei Mosaica no Direito Penal Moderno.' No segundo ano, 'O Valor do Estudo da Personalidade do Delinqüente', 'A Noção de Causalidade no Código Penal Italiano, de 1930, e no Código Penal Brasileiro, de 1940'; 'Filosofia e Histórico da Pena.'

Tão logo concluíra o curso de Direito, inscrevera-se na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção do Estado do Rio de Janeiro, sob o número 2.024. Advogou por alguns anos, inclusive para os extintos Banco Agrícola de Cantagalo e Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj). Exerceu ao mesmo tempo o cargo de Assessor Técnico do Tribunal de Contas do Estado (TCE), no gabinete da presidência de três ministros.

No ano 1964, prestou concurso para ingresso no Ministério Público fluminense, concorrendo com 402 candidatos. Aprovado, teve lavrada sua nomeação em 24 de julho de 1965, posse e exercício no dia 9 de agosto. Iniciou a carreira na Comarca de Niterói, como promotor substituto. Foi promotor regional das comarcas de Santo Antônio de Pádua, Miracema, São Fidélis, Cambuci, Itaocara, além de Bom Jardim, Campos e São Gonçalo.

Todas as suas promoções foram por merecimento: à 1ª Entrância, em 12 de fevereiro de 1969; à 2ª Entrância, em 17 de abril de 1970; à 3ª Entrância, em 7 de abril de 1972.

Edmo Lutterbach foi titular da 3ª Promotoria junto à 3ª Vara Criminal da Comarca de Niterói - Tribunal do Júri. Promovido, por merecimento, ao cargo de Procurador de Justiça, em 24 de fevereiro de 1987, com exercício na 4ª Procuradoria de Justiça, junto à Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Alçada do Estado do Rio de Janeiro (hoje extinto). Em 9 de julho de 1991, concorreu, com outros cinco procuradores à 2ª Procuradoria de Justiça junto à 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça e foi o mais votado, tornando-se titular da mesma. Aposentou-se cinco anos depois, em 1996.

Esteve afastado da Promotoria de 14 de abril de 1965 até 16 de julho de 1970, requisitado ao Procurador-Geral da Justiça pelo General Atratino Cortes Coutinho, assessorando-o na Subcomissão de Investigações do Ministério da Justiça no Estado do Rio de Janeiro; Membro da aludida Subcomissão, nomeado pelo ministro da Justiça, Dr. Alfredo Buzaid e, ante a saída do general, foi eleito pelos pares presidente do mencionado órgão, do qual foi dispensado (depois de vários pedidos), após a fusão dos estados do Rio e Guanabara.

No período em que exercia a promotoria, fez cursos de extensão na Escola Superior de Guerra: Valorização do Homem Brasileiro; O Problema Demográfico; Modelo Político Brasileiro; O Problema do Menor; Desenvolvimento Agropecuário; Condições Gerais para o Estabelecimento de uma Democracia; O Problema Psicossocial da Opção pela Agricultura (1977/1981).

Eduardo Chapot Prévost

Eduardo Chapot Prévost nasceu em Cantagalo (RJ) no dia 25 de julho de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1907. Foi médico-cirurgião e cientista brasileiro.

Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina de Salvador (BA), em 1885, onde defendeu a tese 'Formas Clínicas do Puerperismo Infeccioso e seu Tratamento.' Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, iniciou-se no magistério como preparador em histologia, em 1888, passando a professor catedrático da Faculdade Nacional de Medicina, aos 25 anos, em 1890. Especializou-se também em microbiologia e anatomia patológica, mantendo em sua residência um laboratório de pesquisas.

Chapot Prévost foi pioneiro no ensino de histologia e da cirurgia. Em 1900 tornou-se mundialmente famoso, quando em 30 de maio realizou a primeira separação das pacientes xifópagas Rosalina e Maria Pinheiro Davel, trabalho descrito numa série de publicações e conferências no Brasil e na Europa. As pacientes Maria e Rosalina vinham do Espírito Santo. A primeira faleceu no pós-operatório, em 5 de junho de 1900, mas Rosalina sobreviveu longos anos e na década de 1970 residia em Niterói.

Integrou-se à comissão que foi a Berlim, na Alemanha, estudar o processo do Dr. Robert Koch para cura da tuberculose, e a que reuniu no Rio de Janeiro, sob a presidência do professor Domingos Freire, para debelação da febre amarela.

Aproveitou a viagem para aprender com Metchnikov e outros mestres os mais modernos métodos de combate à peste bubônica que, na época, grassava no Brasil. Ainda na Europa, publicou um livro sobre xifopagia, acrescido de consagrador prefácio de Felix Terrier, um dos maiores cirurgiões de Paris, França. É patrono da Academia Fluminense de Medicina e foi patrono e membro titular da cadeira 81 da Academia Nacional de Medicina.

Obras

Pesquisas histológicas (1890)
A bouba e a sífilis (1892)
O carbúnculo no matadouro (1900)
Novo xifópago vivo (1901)
Xifópago operado (1902)
Cirurgia dos toracópagos (1901)
Teratópago brasileiro vivo (1905)

Euclides da Cunha

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em Cantagalo (RJ), em 20 de janeiro de 1866, e faleceu no Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 1909. Foi escritor, sociólogo, repórter jornalístico, historiador e engenheiro.

Órfão de Cantagalo

Órfão de mãe desde os três anos de idade, foi educado pelas tias. Freqüentou conceituados colégios fluminenses e, quando precisou prosseguir seus estudos, ingressou na Escola Politécnica e, um ano depois, na Escola Militar da Praia Vermelha.

Cadete republicano

Contagiado pelo ardor republicano dos cadetes e de Benjamin Constant, professor da Escola Militar, atirou durante revista às tropas sua espada aos pés do ministro da Guerra, Tomás Coelho. Euclides foi submetido ao Conselho de Disciplina e, em 1888, saiu do Exército. Participou ativamente da propaganda republicana no jornal O Estado de São Paulo. Proclamada a República, foi reintegrado ao Exército com promoção. Ingressou na Escola Superior de Guerra e conseguiu ser primeiro-tenente e bacharel em Matemática, Ciências Físicas e Naturais. Euclides casou-se com Ana Emília Ribeiro, filha do major Frederico Solon de Sampaio Ribeiro, um dos líderes da República.

Ciclo de Canudos

Em 1891, deixou a Escola de Guerra e foi designado coadjuvante de ensino na Escola Militar. Em 1893, praticou na Estrada de Ferro Central do Brasil. Quando surgiu a insurreição de Canudos (BA), em 1897, Euclides escreveu dois artigos pioneiros intitulados "A nossa Vendéia", que lhe valeram um convite do jornal O Estado de São Paulo para presenciar o final do conflito. Isso porque ele considerava, como muitos republicanos à época, que o movimento de Antônio Conselheiro tinha a pretensão de restaurar a monarquia e era apoiado pelos monarquistas residentes no País e no exterior.

"Livro vingador"

Euclides não ficou até a derrubada de Canudos, mas conseguiu reunir material para, durante cinco anos, elaborar 'Os Sertões': campanha de Canudos (1902). O livro trata da campanha de Canudos (1897), no Nordeste da Bahia. O importante é que, nessa obra, ele rompe por completo com suas idéias anteriores e preconcebidas, segundo as quais a revolta de Canudos seria a nossa Vendéia, comandada à distância pelos monarquistas. Percebe que se trata de uma sociedade completamente diferente da litorânea. De certa forma, ele descobre o Brasil, ou um Brasil diferente da representação usual que dele se tinha.
Euclides conseguiu ficar internacionalmente famoso com a publicação desta obra-prima. Divide-se em três partes: A terra, O homem e A luta. Nelas, Euclides analisa, respectivamente, as características geológicas, botânicas, zoológicas e hidrográficas da região, os costumes e a religiosidade sertaneja e, enfim, narra os fatos ocorridos nas quatro expedições enviadas ao arraial liderado por Antônio Conselheiro.

Ciclo amazônico

Em 1905, percorreu a Amazônia, experiência que resultou em sua obra póstuma "À Margem da História", onde denunciou a exploração dos seringueiros na floresta. Escreve, na viagem, o texto ‘Judas-Ahsverus’, considerado um dos textos mais filosófica e poeticamente aprofundados de sua autoria.
Em agosto de 1904, Euclides foi nomeado chefe da comissão mista brasileiro-peruana de reconhecimento do Alto Purus, com o objetivo de cooperar para a demarcação de limites entre o Brasil e o Peru. Ele partiu de Manaus (AM) para as nascentes do rio Purus, chegando adoentado, em agosto de 1905. Dando continuidade aos estudos de limites, Euclides escreveu o ensaio ‘Peru versus Bolívia’, publicado em 1907.
Após retornar da Amazônia, Euclides proferiu a conferência 'Castro Alves e seu Tempo', prefaciou os livros 'Inferno Verde', de Alberto Rangel, e 'Poemas e Canções', de Vicente de Carvalho.

Concurso de lógica

Visando estabilidade impossível na carreira de engenheiro, Euclides prestou concurso para assumir a cadeira de Lógica do Colégio Pedro II. O filósofo Farias Brito foi o primeiro colocado, mas a lei previa que o presidente da República escolheria o catedrático entre os dois primeiros. Graças à intercessão de amigos, Euclides foi nomeado. Depois de sua morte, Farias Brito acabaria ocupando a cátedra em questão.

"Tragédia da Piedade"

Euclides morreu em 1909. Ao saber que sua esposa, mais conhecida como Ana de Assis, o abandonara pelo jovem tenente Dilermando de Assis, que aparentemente já tinha sido ou era seu amante há tempos - e a quem Euclides atribuía a paternidade de um dos filhos de Ana, "a espiga de milho no meio do cafezal" (querendo dizer que era o único louro numa família de tez morena) -, saiu armado na direção da casa do militar, disposto a matar ou morrer. Dilermando era campeão de tiro e matou-o. Tudo indica que o matou lealmente, tanto que foi absolvido na Justiça Militar. Ana casou-se com ele.
O corpo de Euclides foi examinado pelo médico e escritor Afrânio Peixoto, que também assinou o laudo e viria mais tarde a ocupar a sua cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Semana Euclidiana

Todos os anos há em São Carlos (SP), a ‘Semana Euclidiana’, em homenagem ao grande escritor, que morou na cidade entre 1901 e meados de 1903, onde terminou de escrever 'Os Sertões' e o publicou em 1902.
Há também a ‘Semana Euclidiana’ na cidade de São José do Rio Pardo (SP), onde morou anteriormente e construiu a centenária ponte metálica. São José do Rio Pardo é uma cidade turística conhecida como "O berço de Os Sertões."
Em Cantagalo, sua terra natal, foi criada, em 3 de outubro de 1965, a Casa de Cultura Euclides da Cunha, que é administrada pela Fundação de Arte do Estado do Rio de Janeiro (Funarj). No museu, além de obra, história e vida do escritor, também está o seu encéfalo.

Após pesquisas, cérebro de Euclides volta à terra natal

A família de Euclides da Cunha, após pesquisas, localizou o encéfalo (cérebro) do escritor depositado em uma seção burocrática do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, mantido em circunstâncias não condizentes com o respeito devido ao grande brasileiro: a peça estava em frasco de vidro, em formol renovado há vários anos, sem qualquer rotulagem que a identificasse e guardada (com outras peças - anônimas também) na parte inferior de um armário comum, sob uma pia.
Em 1983, após acordo com a família do escritor, o encéfalo do autor de ‘Os Sertões’ chega à cidade e hoje está num mausoléu, dentro de uma redoma de vidro, na Casa de Cultura Euclides da Cunha (Rua Maria Zulmira Torres, s/nº)

Cronologia

1866, 20 de janeiro - Nascimento no arraial de Santa Rita do Rio Negro (hoje Euclidelândia), município de Cantagalo-RJ, então província do Rio de Janeiro, onde vive até os três anos, quando falece sua mãe Eudóxia Moreira da Cunha.
1879 - Completa os seus estudos primários (atual Ensino Fundamental) no Colégio Caldeira.
1880 - Inicia o curso secundário (atual Ensino Médio). Freqüenta os Colégios Anglo-Americano, Vitório da Costa e Menezes Dória.
1883 - Aos 18 anos de idade, é matriculado no Colégio Aquino, onde faz exames de Geografia, Francês, Retórica e História.
1884 - Publica, no Colégio Aquino, os primeiros artigos no jornal 'O Democrata', fundado por ele e seus colegas.
1885 - Ingressa na Escola Politécnica para cursar Engenharia, mas é obrigado a desistir por motivos financeiros.
1886 - Em 20 de fevereiro, aos 21 anos de idade, assenta praça na Escola Militar da Praia Vermelha, sendo aluno de Benjamin Constant, conhecido positivista.
1887 - Colabora na Revista da Família Acadêmica.
1888 - O imperador tranca a sua matrícula na Escola Militar da Praia Vermelha por seu ato de protesto durante uma visita do ministro da Guerra, conselheiro Tomás Coelho, do último gabinete conservador da monarquia. Euclides colabora, com a série "A Pátria e a Dinastia", no jornal 'A Província', de São Paulo.
1889 - Retorno à Escola Militar da Praia Vermelha, graças à proclamação da República e ao seu sogro, general Sólon Ribeiro.
1891 - Conclui curso na Escola Superior de Guerra.
1892 - É promovido a primeiro-tenente de Artilharia e designado para coadjuvante de ensino teórico na Escola Militar.
1893 - Nasce Solon da Cunha, seu primeiro filho. Euclides dirige as obras de fortificações das trincheiras da Saúde durante a Revolta da Armada.
1894 - Incidente do jornal 'O Tempo.' Respondendo ao senador cearense João Cordeiro, que desejava penas severas aos adversários políticos, Euclides escreve duas cartas para a 'Gazeta de Notícias', em que defende o Estado democrático e a não violência. Por isso, passa a ser visto com desconfiança pelos legalistas.
1895 - É "exilado" para Campanha, em Minas Gerais, onde constrói e inaugura a estrada de ferro. Viaja pelo interior de São Paulo como superintendente de Obras Públicas do Estado, cargo exercido até 1903. Nasce Euclides Filho, seu segundo filho com "Saninha."
1896 - Desliga-se do Exército para dedicar-se à engenharia civil. Podendo pedir a Floriano Peixoto um cargo em qualquer esfera do governo, pois tinha sido um fervoroso republicano, Euclides decide o que a lei designa para os recém-formados: estágio na Estrada de Ferro Central do Brasil.
1897 - Euclides escreve dois artigos sob o título "A nossa Vendéia", comparando os canudenses aos revoltosos da Vendéia. Júlio de Mesquita, do jornal 'O Estado de São Paulo', convida-o para acompanhar a campanha de Canudos como correspondente. Nomeado adido ao Estado-Maior do Ministério da Guerra, Euclides segue para Canudos. Cobre a última fase da campanha de Canudos. De 7 de agosto a 1 de outubro fica no sertão, como correspondente do jornal 'O Estado de São Paulo.'
1898-1901 - Muda-se para São José do Rio Pardo, onde trabalha na construção de uma ponte metálica sobre o Rio Pardo. Começa a escrever 'Os Sertões.' Começa a publicar 'Os Sertões' no artigo "Excerto de um livro inédito." Além disso, trabalha como engenheiro em São Paulo.
1901 - Nasce em São José do Rio Pardo Manuel Afonso Albertina, o terceiro filho de Euclides. Manuel Afonso seria o único a deixar descendentes. Muda-se para São Carlos (interior de São Paulo), onde foi engenheiro da construção da Escola Paulino Carlos.
1902 - Publica a obra 'Os Sertões', pela Laemmert & Cia., considerada como precursora da sociologia e da literatura modernista no Brasil, juntamente com Canaã, de Graça Aranha.
1903 - Euclides muda-se para Lorena, onde continua trabalhando como engenheiro. É eleito para a Academia Brasileira de Letras na vaga de Valentim Magalhães. Euclides pede demissão da Superintendência de Obras Públicas de São Paulo.Posse no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
1905 - Euclides é nomeado chefe de seção da Comissão de Saneamento de Santos. Percorre Santos e Guarujá. Pede demissão do cargo. Realiza viagem heróica pelo rio Purus, na Amazônia, chefiando missão oficial do Ministério das Relações Exteriores que decidiria sobre o litígio de fronteira entre o Brasil e o Peru. Percorre cerca de 6,4 mil quilômetros de navegação, alguns trechos inclusive a pé.
1906 - Euclides volta ao Rio de Janeiro como adido ao gabinete do Barão do Rio Branco e publica o Relatório da Comissão Mista Brasileiro-Peruana de Reconhecimento do Alto Purus. Nasce Mauro, o quarto filho de Euclides, que vem a falecer uma semana depois.
1907 - Publica 'Contrastes e Confrontos', artigos e breves ensaios reunidos por um editor português, e 'Peru versus Bolívia.' Profere a conferência "Castro Alves e seu Tempo", no Centro Acadêmico XI de Agosto (São Paulo).
1909 - Presta exame para a cátedra de Lógica no Colégio Pedro II. Contudo, não chega a dar muitas aulas.
1909, 15 de agosto - Assassinado por um jovem tenente, Dilermando de Assis, com quem vivia a esposa que o abandonara, num duelo ou emboscada, a tiros, no bairro da Piedade, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

Joaquim Naegele

O maestro Joaquim Antônio Langsdorf Naegele foi uma das mais ilustres personalidades que a história da música do Estado do Rio de Janeiro nos legou.

Nascido no dia 2 de junho de 1899, em Santa Rita do Rio Negro (hoje Euclidelândia, terceiro distrito de Cantagalo-RJ), dedicou-se desde menino ao estudo da música, completando sua formação com o maestro Francisco Braga.
Em 1942, criou a Sociedade Musical Flor do Ritmo, situada no subúrbio da Piedade, transferindo-se em 1952 para o Méier, ambos no Rio de Janeiro.

Como emérito professor, contribuiu com a formação de várias gerações de instrumentistas, inclusive três de seus filhos - Kutz (clarinete), Dálgio (trombone) e Wagner (trompete) -, que integraram a orquestra 'Os Copacabana.'

Alguns personagens que ainda hoje merecem destaque, como Wilson das Neves, Elza Soares, Zeca Pagodinho, Bezerra da Silva e muitos outros, iniciaram sua formação musical em sua escola, a Flor do Ritmo, no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro.
Maestro Joaquim Antônio Langsdorf Naegele tem seu nome sempre lembrado pela inestimável contribuição que prestou ao País, dedicando sua vida à formação musical da juventude.

Como militante político e patriota, lutou pelas causas mais nobres, destacando-se, sobretudo, como incansável defensor na campanha do 'Petróleo é Nosso', nos anos 50. Joaquim Naegele foi, muitas vezes, vítima de injustas prisões e perseguições políticas que o motivaram na composição de seu famoso dobrado 'A Voz do Cárcere.'O dobrado 'Janjão', também de sua autoria, se internacionalizou ao virar prefixo da BBC de Londres durante a Segunda Guerra Mundial.

Joaquim Naegele faleceu em 3 de março de 1986, quando iria completar 87 anos. Sua memória, entretanto, continua viva e permanece definitiva na história da música brasileira, cuja trajetória se apresenta como importante referencial para todas as demais gerações.

Luma de Oliveira

A atriz, modelo e empresária Luma de Oliveira nasceu na Casa de Caridade de Cantagalo, hoje Hospital de Cantagalo, em Cantagalo (RJ), em 10 de dezembro de 1962 (Certidão de Nascimento constante do Livro 31-A, Folha 202, sob o termo nº 6.843, efetuado em 13 de dezembro de 1962), quando sua família morava no quinto distrito de Boa Sorte. É filha de José Luiz Bedas de Oliveira e de Maria Luíza de Castro Oliveira, sendo avós paternos Severino Augusto de Carvalho Oliveira e Elverita Maria Naegele de Oliveira, e avós maternos João Baptista de Castro e Souza e Alcina Teixeira de Castro.

Geralmente identificada como modelo e atriz, faz parte da galeria de mulheres brasileiras que se transformaram em celebridades ao se tornarem símbolos sexuais.

Caçula de uma família de seis irmãos, entre eles a também atriz e modelo Ísis de Oliveira, desde cedo chamou a atenção pela beleza, que tem resistido ao tempo. Estreou como modelo aos 16 anos.

Teve participação no cinema e na televisão: foram quatro filmes, o último em 1997, e duas novelas, a última em 1990. É recordista em ensaios eróticos para a revista Playboy, tendo posado cinco vezes para a revista que sempre bate recordes de venda quando Luma aparece na capa.

Em 1991, Luma casa-se com o megaempresário Eike Batista, apesar da forte oposição da família dele.

Em 2004, a separação de Eike e Luma repercute intensamente na mídia. A separação coincidiu com um período em que era grande a exposição de Luma no noticiário, pois, rompendo um acordo tácito que teria feito com o marido, voltou a desfilar no Carnaval carioca, posou para revistas masculinas e também para um calendário do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Também no Carnaval, como madrinha de baterias de escolas de samba cariocas, Luma é outro fenômeno das passarelas. Na década de 80 começou na Tradição. Depois foi para a Viradouro, onde ficou por cinco anos. Em 2004, anunciou que desfilaria pela Mocidade Independente, mas acabou desistindo. Em 2005, saiu na Caprichosos de Pilares.

Manoel Joaquim de Macedo

Compositor, regente e violinista brasileiro nascido em Cantagalo (RJ), em 1847, Manoel Joaquim da Macedo é patrono da Cadeira nº 21 da Academia Brasileira de Música. Estudou no Real Conservatório de Bruxelas, na Bélgica, onde foi aluno em harmonia e composição de François-Joseph Fétis, e em violino, de Hubert Léonard e Henri Vieuxtemps, e obteve Medalha de Ouro. Foi spalla da Orquestra do Covent Garden, de Londres, e, retornando ao Brasil (1871), foi nomeado, por D. Pedro II, Mestre da Capela Imperial, no Rio de Janeiro, onde apresentou a opereta Antonieta da Silva, com libreto de seu ilustre tio, o romancista Manuel de Macedo.

Manoel Joaquim de Macedo é um compositor e violinista completamente esquecido, mas que também teve a sua hora e a sua vez no fim do século XIX, tanto que Villa-Lobos, em 1946, fez questão de escolhê-lo como um dos patronos da academia.

É autor da opereta Antonica da Silva, encenada no Teatro Fênix Dramática (1880). Três anos depois (1883), mudou-se para Cataguazes, em Minas Gerais, onde intensificou sua produção como compositor. Passou depois longa temporada na Bélgica, com bolsa de estudos.

Passou depois longa temporada na Bélgica, com bolsa de estudos. Nepomuceno regeu em Bruxelas trechos da citada obra, em 1910, com bastante agrado. É autor da ópera Tiradentes (apresentada em forma de oratório, em Belo Horizonte, em 1986) de oito concertos para violino e orquestra, o poema sinfônico Floriano Peixoto, música de câmara, canções, etc. Apresentou o prelúdio de sua ópera Tiradentes (1910), na Bélgica, por Alberto Nepomuceno, no Festival de Música Brasileira, na Exposição Internacional de Bruxelas.

Manoel Joaquim de Macedo faleceu em Cataguazes, Minas Gerais, em 1925.

Obras principais

Música dramática: Tiradentes (ópera); Antonica da Silva (opereta).
Música orquestral: A Floriano Peixoto a Pátria (poema sinfônico).
Música instrumental: Barcarolle; Un jour de printemps; Le Poète; Romance; Sonata; Le Ruisseau; Romance.

Marcus Faver

Natural de Cantagalo (RJ), o desembargador Marcus Antônio de Souza Faver nasceu em 5 de março de 1940, tornando-se bacharel em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ), em 1963, e mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), em 1981, sendo atualmente professor titular da Universidade Católica de Petrópolis.

Marcus Faver atuou como advogado e professor no município de Miracema, no Noroeste fluminense, onde exerceu o cargo de vereador, em dois mandatos consecutivos (1962/1966 e 1966/1969). Nesse ano (1969), ingressou na magistratura, por concurso público, chegando a juiz do Tribunal de Alçada Cível, em 1983, e sendo promovido, em 1993, ao cargo de desembargador.

Integrante da 5ª Câmara Cível e do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Faver é o atual gestor do Fundo Especial do Tribunal de Justiça. Em 2001, também presidiu o TJRJ. O desembargador também foi presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

Maria Jacinta

Maria Jacinta Trovão da Costa Campo nasceu em Cantagalo (RJ) em 1906 e faleceu no Rio de Janeiro em 1994. Foi professora, contista, teatróloga, escritora, crítica, dramaturga, ensaísta, jornalista e diretora teatral. Foi membro da Academia de Letras do Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL).

A artista adotou mudou-se para Niterói, onde desenvolveu toda sua carreira. Para a crítica, Maria Jacinta é considerada uma mulher à frente do seu tempo, muito conceituada no meio teatral, responsável por lançar nomes hoje internacionalizados, como Fernanda Montenegro e Mauro Mendonça.

Maria Nice Leite de Miranda

Maria Nice Leite de Miranda nasceu em Cantagalo (RJ), formando-se no curso de Bacharelado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Foi designada para o cargo de Corregedora da Assistência Judiciária (hoje, Defensoria Pública), em 16 de maio de 1974, pelo então Procurador Geral da Justiça do antigo Estado do Rio de Janeiro, Francisco Gil Castello Branco, exercendo a função até a data da fusão do Estado da Guanabara com este o do Rio de Janeiro, em março de 1975.

Foi a primeira Defensora Pública a exercer a função e o segundo Corregedor da história da instituição. Antes de ingressar, em 1º de julho de 1958, nos quadros da antiga Assistência Judiciária, foi promotora de Justiça substituta da Comarca de Carmo (RJ), durante cinco anos, até janeiro de 1957, havendo sido a primeira mulher, no antigo Estado do Rio de Janeiro, a ocupar esses cargos.

Maria Nice Leite de Miranda aposentou-se em 1996, já promovida, por merecimento, à Defensora Pública de 2º Grau de Jurisdição, onde atuou perante diversas Câmaras Cíveis do Tribunal de Justiça. Teve presença marcante na vida institucional, participando da antiga Associação do Ministério Público Fluminense que, antes da fusão, reunia membros do Ministério Público e Defensores Públicos do antigo Estado do Rio de Janeiro, sucedida, mais tarde, pela Associação da Assistência Judiciária que, por sua vez, foi sucedida pela atual Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (ADPERJ).

Foi, também, membro de Comissão de Estágio Confirmatório, além de haver tido decisiva participação para que fosse publicado o Provimento nº 120/86, baixado pelo Corregedor Geral da Justiça, à época, o desembargador Synésio de Aquino. Esse provimento consolidou, no âmbito do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, a intimação pessoal do Defensor Público, já antes prevista no art. 87, inciso VIII, da Lei Complementar Estadual nº 06/77.

Em janeiro de 1962, quando esteve na Europa, às suas expensas, por ocasião das comemorações dos 20 anos de fundação da PUC, Maria Nice Leite de Miranda entregou, pessoalmente, à Sua Santidade, o Papa João XXIII, mensagem do Governo do antigo Estado do Rio de Janeiro, assinada pelo governador Celso Peçanha. A designação para o honroso encargo foi sugerida, ao governo fluminense, pela reitoria da universidade, tanto porque era ex-aluna da PUC quanto porque, sendo defensora pública, exercia o ministério de postular e defender o pleito dos pobres perante a Justiça, conhecendo, assim, o drama dos desprovidos de fortuna.

Maria Nice Leite de Miranda foi, também, agraciada com o Colar do Mérito da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro. Em dezembro de 2007, foi condecorada com o Colar do Mérito Judiciário, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, numa solenidade que comemorou o ‘Dia da Justiça.’

Paulo Torres

Paulo Francisco Torres nasceu em Cantagalo (RJ) no dia 29 de maio de 1903, filho de Antônio Francisco Torres e Maria Zulmira Torres.

Era bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ). Cursou a Escola Militar do Realengo, a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, a Escola de Pára-Quedistas do Exército e a Escola Superior de Guerra. Casou-se com Maria da Conceição Lopes Torres.
Foi presidente do Senado no período de 1973 a 1975, representante do Estado do Rio de Janeiro, tendo exercido o mandato de senador no período de 1966 a 1975. Assumiu a presidência do Senado Federal com a morte do senador Filinto Müller, sendo que no biênio de sua presidência, incluindo-se os cinco meses da gestão do senador Filinto Müller, o Senado Federal realizou 226 sessões conjuntas, tendo ocorrido 2.361 pronunciamentos e apresentados 268 projetos de lei.

Em 1978, elegeu-se deputado federal pelo novo Estado do Rio de Janeiro, ingressando no Partido Popular (PP), que mais tarde se incorporaria ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). No pleito de 1982, voltou a concorrer a uma cadeira na Câmara, conseguindo a suplência.

No desempenho da função de Adjunto Adido à Embaixada do Brasil em Roma, visitou Portugal, França e Suíça; integrou a Força Expedicionária Brasileira; comandou a Guarnição Federal de Niterói e São Gonçalo; comandou o Grupamento de Elementos de Fronteira; comandou o Destacamento Brasileiro na Grande Parada da Vitória, realizada em Londres (1946); comandou o Núcleo da Divisão Aeroterrestre (pára-quedistas); 3º Secretário da Mesa, Presidente da Comissão de Segurança e Membro das Comissões de Ajustes Internacionais e de Legislação sobre Energia Atômica; da Comissão para Alienação de Terras Públicas e Povoamento; das Comissões de Minas e Energia, de Projetos do Executivo, de Serviço Público e de Legislação Social. Representante do Senado Federal na Conferência Interparlamentar em Genebra, Suíça (1967); Representante do Senado Federal nas solenidades do Quinto Centenário do Nascimento de Pedro Álvares Cabral (1968); Representante do Senado no VII Congresso Internacional de Municípios em New Orleans, Estados Unidos. Como membro do Grupo Brasileiro da União Interparlamentar, visitou a República dos Camarões (África), em abril de 1971.

Exerceu os cargos de prefeito municipal de Teresópolis; diretor da Escola de Trabalho; delegado da Ordem Política e Social; chefe de Polícia do Departamento Federal de Segurança Pública; governador do Território Federal do Acre; governador do Estado do Rio de Janeiro; diretor de Armamento e Munição do Exército; chefe do Estado-Maior do 1º Exército; senador, de 1966 a 1975; 1º vice-presidente da Mesa do Senado Federal, em 1973; presidente do Senado Federal, de agosto de 1973 até 1975.

Amigo pessoal do presidente Castelo Branco, de quem foi companheiro de farda nos campos da Itália, não mediu esforços para beneficiar Cantagalo. Dentre as conquistas, podemos destacar a abertura e o asfaltamento da Estrada São Martinho, ligando a cidade à Rodovia RJ-116; a iluminação a vapor de mercúrio, através da CELF; a Casa Euclides da Cunha, criada pela Lei 5.586, de 3 de outubro de 1965; e o colégio Estadual Maria Zulmira Torres, instituído pelo Decreto 12.039, da mesma data, instalados ambos em dezembro de 1966 na antiga chácara de Hugo Sardemberg (Caminho da Batalha).

Paulo Torres recebeu as seguintes condecorações: Mérito Militar no grau de Comendador; Medalha de Guerra; Medalha de Campanha; Cruz de Combate; Medalha Militar, com Passador de Platina; Maria Quitéria; Pacificador; Medalha de Tiradentes; Cinqüentenário da República; Campanha do Atlântico Sul; I Congresso de Medicina Militar; Brigadeiro João Nepomuceno; Rui Barbosa; Almirante Tamandaré; Rio Branco; Jornadas da Aeronáutica; Anchieta; Clóvis Bevilacqua; Vital Brasil; Cruz de Combate, dos Estados Unidos da América; Yacucho, da República do Peru; Mérito Militar, da República do Paraguai; Cruz de Guerra com Palma, da República da França; e Cruz de Valor Militar, da República da Itália.

Paulo Torres faleceu, em Brasília, no dia 11 de janeiro de 2000.

Seu irmão, Acúrcio Francisco Torres, foi outro cantagalense ilustre, tendo nascido em 12 de abril de 1897 e falecido em Niterói (RJ), no dia 24 de agosto de 1976. Acúrcio foi deputado federal pelo antigo Estado do Rio de Janeiro em dois mandatos: de 1935 a 1937 e de 1946 a 1951. Tem sua memória destacada em várias cidades do estado, inclusive em Niterói, onde dá nome a uma rua no bairro de Piratininga.

Rodolpho Albino

Rodolpho Albino Dias da Silva, farmacêutico e militar brasileiro, nasceu em Cantagalo (RJ) no dia 5 de agosto de 1889 e faleceu precocemente em 7 de outubro de 1931, aos 42 anos.

O militar Rodolpho Albino em início de carreira

Foi um dos fundadores e presidiu a Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF), em 1916, e foi também redator-chefe do 'Boletim da Associação Brasileira de Pharmacêuticos', jornal criado para fazer a divulgação da associação, durante o período em que a presidiu.

O pesquisador foi químico do Laboratório Nacional de Análise e professor de farmácia; trabalhou intensamente por mais de 10 anos para concluir o Código Farmacêutico Brasileiro. Ao terminá-lo, o pouco conhecido Rodolpho Albino pôde apresentar seu projeto de farmacopéia brasileira ao Dr. Carlos Chagas, Diretor Geral do Departamento Nacional de Saúde Pública. Para julgar o trabalho apresentado, o Dr. Chagas nomeou uma comissão constituída por três professores doutores da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e três farmacêuticos. Após exame minucioso da obra, a comissão resolveu aceitá-la, solicitando ao governo a sua oficialização como Código Nacional Farmacêutico, com a supressão, porém, de certos artigos por eles considerados de uso restrito.

Em 1926, as autoridades sanitárias do País aprovaram a proposta do Código Farmacêutico Brasileiro. Aprovado pelas autoridades sanitárias da época, este código foi oficializado em 1929 e tornou-se a primeira edição da Farmacopéia Brasileira. Obra de um único autor, a primeira edição da Farmacopéia Brasileira equiparava-se às farmacopéias dos países tecnologicamente desenvolvidos, porém diferenciava-se das demais por conter descrições de mais de 200 plantas medicinais, a maioria delas de origem brasileira.

O ilustre cantagalense dá nome à Biblioteca Rodolpho Albino, fundada em 1929, e oficialmente inaugurada na atual sede da Associação Brasileira de Farmácias (ABF), em 13 de janeiro de 1951. Seu nome foi escolhido por ter sido ele ex-presidente da ABF e ilustre farmacêutico. Ele dedicou toda sua vida ao estudo de plantas, drogas e substâncias, não apenas pelo engrandecimento da área farmacêutica, mas de toda a sociedade. É autor da mais importante obra da literatura farmacêutica brasileira, a Farmacopéia Brasileira, um marco da literatura científica. O pesquisador também possuía características anônimas, como as de caricaturista e poeta.
Curiosidade: No laboratório da Casa Granado, foi escrita a farmacopéia brasileira. Inteiramente produzida pelo pesquisador Rodolpho Albino, então diretor técnico do laboratório.

Fruto de 12 anos de trabalho de Rodolpho Albino, a Farmacopéia Brasileira passou a ser a farmacopéia adotada oficialmente. Com seu amor pela botânica e pela farmacognosia, o cantagalense trabalhou por todos esses anos se dedicando dia-a-dia a elaborar essa farmacopéia, que diferentemente de outros países que formam comissões de médicos, farmacêuticos, biólogos entre outros, foi feita somente por esse dedicado farmacêutico.

Róger Noronha

Róger José de Noronha e Silva, ou simplesmente Róger, como é mais conhecido profissionalmente, nasceu em Cantagalo (RJ) no dia 23 de julho de 1972. É futebolista brasileiro. Foi goleiro do Flamengo (RJ), do São Paulo (SP), do Vitória (BA), da Portuguesa (SP), do Santos (SP) e do Botafogo (RJ)

Róger iniciou sua carreira profissional no Flamengo, em 1991, e, nos anos que se seguiram, foi reserva de Gilmar.
Em 1994, foi emprestado ao Vitória (BA), contudo, quando retornou à Gávea, em novembro daquele mesmo ano, ocupou definitivamente a condição de goleiro titular do Flamengo.

Foi vendido para o São Paulo em 1997, porém, dois anos mais tarde, voltaria a ser negociado com o Vitória (BA) e, depois, com a Portuguesa (SP).

Retornou ao Morumbi em 2001, onde permaneceu até o final de 2005, quando transferiu-se para a Santos. Continuou assumindo a posição reserva, pois Fábio Costa ocupa a posição titular do time alvinegro. Conquistando nesse ano o Campeonato Paulista de Futebol.

Em setembro de 2007, Róger foi contratado pelo Botafogo (RJ), como mais uma tentativa de suprir a ineficiência dos goleiros testados até então. Porém, o atleta disputou apenas sete partidas pelo clube até rescindir seu contrato devido ao seu alto salário
Em outubro de 1999, posou nu para a revista G Magazine, uma publicação voltada ao público gay.

Títulos:

Flamengo
Campeonato Carioca: 1991, 1996
Taça Guanabara: 1995, 1996
Taça Rio: 1991, 1996
Campeonato Brasileiro: 1992

São Paulo
Campeonato Paulista: 1998
Torneio Rio-São Paulo: 2001
Supercampeonato Paulista: 2002
Taça Libertadores da América: 2005

Santos
Campeonato Paulista: 2006, 2007

Rogéria

Rogéria é o nome artístico de Astolfo Barroso Pinto, que nasceu em Cantagalo (RJ) no dia 25 de maio de 1943, Rogéria não demorou muito para que sua estrela começasse a brilhar. Era atração do bairro onde morava com sua família, tendo total apoio de sua mãe, Dona Eloá, e seus dois irmãos, todos sem nenhum preconceito em relação ao homossexualismo.

Na juventude, tendo se inspirado em ícones cinematográficos internacionais, como Betty Davis e Marilyn Monroe, desde os 10 anos, quando morava em Niterói, interpretava personagens como Cleópatra e costumava se atirar dos cipós imitando Jane, preferida do Tarzan.

Sua mãe bordou toda a primeira roupa de baiana para o show inaugural de sua gloriosa carreira, que aconteceu no Stop Club, na década de 1960.

Rogéria virou transformista desde a adolescência, mas considera-se transgênero e confessa nunca ter tido vontade de realizar a cirurgia de redesignação sexual, declarando-se feliz com sua genitália masculina. Foi maquiador na extinta TV Rio e vedete. Morou no exterior, apresentando espetáculos.

A consagração do nome artístico veio no concurso de fantasias no Teatro República (RJ), em 1964. Vestida de Dama da Noite, vedete sofisticada do Moulin Rouge (Paris), empatou em primeiro lugar com Susy Wong, que estava ricamente vestida. O resultado ocorreu não tanto pelo luxo de sua fantasia, mas pela presença de um talento nato, que a levou a roubar a cena. Foi quando, pela primeira vez, o público aclamou por Rogéria.

Na Espanha, nos anos 70, enquanto participava do espetáculo com sucesso absoluto de público, teve que abandonar o palco devido às leis locais que obrigavam a operação de troca de sexo, prontamente rejeitada por Rogéria.

Transferiu-se para a França logo a seguir, sendo o grande destaque do Carrousel de Paris. Nesta fase deixou o cabelo crescer, optou por fazer tratamento hormonal onde a figura feminina definitivamente se instalou.

Na volta ao Brasil, os elogios à sua carreira tornaram-se fatos corriqueiros, tendo recebido varias condecorações, entre eles o Prêmio Mambembe (1979), pelo espetáculo que fez ao lado de Grande Otelo com direção de Aderbal Freire Filho.

Figura freqüente no cinema brasileiro, participou também como jurada em vários programas de auditório nas últimas décadas, de Chacrinha a Gilberto Barros. Rogéria se transformou no maior ícone gay brasileiro e, sem dúvida, é um grande talento nacional e internacional.

Falar da arte do transformismo no Brasil é falar sobre Rogéria. Esta artista representa todas as possibilidades que um espetáculo transformista pode ter. Possuidora de um carisma todo especial, Rogéria tem a qualidade de estrela que a coloca entre as principais figuras de nosso palco. Vaidosa e com tudo em cima, não descuida do visual, além de estar em ótima forma física, parecendo uma verdadeira pin-up.

Rogéria é uma profissional que conhece seu habitat - o palco - como poucos. Totalmente adaptada a esta caixa mágica, talvez ninguém pise num tablado melhor que ela. Ao acender as luzes dos refletores, surge o artista em seu brilho máximo, com todo o encantamento, num misto de perfeita voz com refinada ironia de atriz cômica.

Dona de uma grande empatia é em Rogéria que temos a amostra do número de platéia, um dos momentos mais difíceis para o artista. Com sua astúcia ferina (no bom sentido) consegue prender a atenção do público sem que se perca o humor e alegria neste tipo de entretenimento. Ver Rogéria em cena cantando ou conversando com o público é ter certeza do que é uma verdadeira show-woman ou quem sabe um show-man, porque em Rogéria não vemos o travesti que apenas se fantasia de mulher e sim um artista que se veste de mulher para mostrar com elegante categoria toda uma arte especial.

Saber envelhecer no Brasil é uma arte. Poucos conseguem assumir a idade e mostrar ao público brasileiro que talento é como o vinho. Quanto mais velho, melhor é saboreado. Rogéria é como um vinho de uma boa safra, que foi melhorando a cada ano. Hoje cada aparição, seja em boate, teatro ou bares é como degustar a bebida em enorme estado de prazer.

Atualmente faz espetáculos por todo Brasil onde concilia boa música e excelente humor, sendo freqüentemente aplaudida de pé pelo público. Em seu talk-show gosta de relembrar estórias da sua passagem de maquiador para a Rogéria atual. Comenta: “enquanto maquiava Fernanda Montenegro, Elizete Cardoso, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Linda e Dircinha, Consuelo Leandro, Nair Belo, Sara Montiel, Rita Pavone, Josefhine Bacher e outras, elas ficavam no meu ouvido atazanando que meu lugar não era ali e sim no palco. Foi quando perguntei para Fernanda: como é que eu vou para o palco vestida de mulher? E essa diva respondeu: arte independe de sexo. Se você tem talento vai dar certo, não custa nada tentar. Aí eu fui e aconteceu!”...

Assim é Rogéria, acima de tudo um ser humano brilhante que merece todo respeito e credibilidade pela sua coragem, sinceridade e dignidade.

Principais Trabalhos

TV
"Toma Lá Dá Cá" – 2007
"Paraíso Tropical" – 2007
"Brava Gente" (episódio "O Enterro da Cafetina" - 2002)
"A Grande Família" (episódio "Ô Velho Gostoso" - 2002)
"Desejos de Mulher" (2002)
"Você Decide" (episódio "Mulher 2000" - 1999)
"Sai de Baixo" (episódio "Adivinhe Quem Vem Para Jantar" - 1997)
"Tieta" (1989)

Cinema
"Copacabana" (2001)
"O Vestido Dourado" (curta - 2000)
"Hi Fi" (curta - 1999)
"A Causa Secreta" (1994)
"A Maldição do Sanpaku" (1991)
"Gugu, O Bom de Cama" (1979)
"O Gigante da América" (1978)
"O Sexualista" (1975)
"Enfim Sós... Com o Outro" (1968)
"O Homem Que Comprou o Mundo" (1968)
"Um Pirata do Outro Mundo" (1957)
"Balança Mas Não Cai" (1953)

Teatro
"7 - O Musical" (2007)
"As Divinas Divas"
“Querelle” (1989)
"Roque Santeiro" (1987)
"Gays Girls"
"Gay Fantasy"
"Rio Gay"
“Adorável Rogéria”
Em 2007, Rogéria faz participação especial na novela "Paraíso Tropical", no sitcom "Toma Lá Dá Cá; e integra o elenco de "7 - O Musical", de Charles Möeller e Cláudio Botelho, e música de Ed Motta.

Tancredo da Silva Pinto

Tancredo da Silva Pinto, sambista e umbandista brasileiro, nasceu em Cantagalo, em 10 de agosto de 1905, e faleceu em 1º de setembro de 1979.

Ainda na adolescência, veio para o antigo Estado da Guanabara. Filho de Belmiro da Silva Pinto e de Edwirges de Miranda Pinto, sendo seus avós maternos Manoel Luís de Miranda e Henriqueta Miranda. Sua árvore genealógica remonta a grandes estudiosos e praticantes do culto da antiga e imortal África. Seu avô foi fundador dos primeiros blocos carnavalescos de Cantagalo, tendo fundado os blocos 'Avança' e 'Treme -Terra', bem como o 'Cordão Místico', uma mistura de caboclo com o ritual africano, em que sua tia Olga saía vestida de Rainha Ginja.

Seu pai, considerado o melhor tocador de violão de sua época, tinha em seu histórico o título de excelente ferrador, bem como de exímio tratador de animais, sendo ainda criador de pássaros de diversas qualidades.

Em 1950, por ocasião das grandes perseguições aos umbandistas de vários estados, resolveu fundar a Federação Umbandista de Cultos Afro-brasileiros. Viajou por diversos estados, fundando outras associações com o escopo de organizar e dar personalidade ao culto umbandista. Consta que fundou-as em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, entre outros.

Foi ainda criador de festas que marcaram época e solidificaram a imagem da Umbanda como a Festa para Iemanjá no Rio de Janeiro, Festa de Yaloxá na Pampulha, em Belo Horizonte, Cruzambê, em Betim, Festa do Preto-Velho, em Inhoaíba, homenageando a grande Iyalorixá Mãe Senhora, Festa de Xangô, em Pernambuco, o evento “Você sabe o que é Umbanda?”, no Maracanã, e, finalmente, a festa da fusão do estado da Guanabara com o Rio de Janeiro, realizada ao centro da Ponte Rio-Niterói.

Em vida ainda recebeu diversas comendas e homenagens pelos serviços prestados às religiões afro-brasileiras. Foi um fiel defensor da prática africanista ao culto umbandista e ao Omolokô.

O humilde estafeta dos correios “escreveu” diversas obras de cunho umbandista e manteve colunas diárias em jornais cariocas, como O Dia.

Música - Tancredo teve uma atuação marcante também como compositor, aliás, essa habilidade constava como profissão em sua Carteira de Trabalho. Como companheiros de composição teve Moreira da Silva, Zé Kéti, Zé Pitanga e Blackout. Esse último gravou de sua autoria a música 'General da Banda', cuja letra faz uma alusão ao Orixá Ogum. Foi um dos fundadores da primeira escola de samba do bairro Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

Tancredo teve publicada mais de 30 obras literárias, divulgando a Umbanda Omolocô. Foi fundador e colaborador de diversos jornais e revistas destinadas a esclarecer e orientar os adeptos da religião afro-brasileira. Seus artigos de Umbanda foram publicados durante 25 anos no jornal O Dia.

Alguns livros de Tancredo

Negro e Branco na Cultura Religiosa Afro Brasileira - Os Egbás; A Volta dos Orixás; Doutrina e Ritual de Umbanda; Primado de Umbanda; Guia e Ritual para Organização dos Terreiros de Umbanda; Doutrina e Ritual de Umbanda; As Mirongas de Umbanda; Tecnologia Ocultista da Umbanda Brasil; Origens da Umbanda; O Eró; Cabala Umbandista; Iaô; Camba de Umbanda; Impressionantes Cerimônias da Umbanda; Fundamentos da Umbanda.

Therezinha Erthal

Nascida em Cantagalo (RJ), Therezinha Erthal reside em Niterói desde 1969. Formada em pedagogia, a pintora e escultora é membro efetivo da Academia de Letras e Artes Paranapuã (Alap). A carreira dela nas artes começou em 1986. Desde então, Therezinha passou por diversas escolas. Eclética, além da imagem tridimensional, a artista adiciona à pintura um grau de abstração.

Ao longo da carreira, participou de exposições nacionais e também em Nova York (EUA), Roma (Itália), Lisboa (Portugal) e Barcelona (Espanha). Além disso, Therezinha Erthal integrou o I Intercâmbio Cultural Brasil/Portugal. A atuação dela na área artística rendeu-lhe diversos prêmios e títulos, entre eles a Moção de Congratulações da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, concedida em 18 de setembro de 2000, e a Medalha Casa Museu Maria Fontinha, em Portugal, conferida em 1º de agosto de 2004.