A mineração foi a atividade que predominou em Cantagalo no início de sua ocupação, mas cedeu lugar à agricultura quando os meios auríferos se esgotaram. Em 1970, a atividade primária ainda ocupava posição relevante no município, principalmente a pecuária.

Atualmente, a Indústria assume a liderança na geração de renda, com destaque para o setor cimenteiro, já que o município conta com um pólo industrial que comporta três grandes indústrias. Mas o setor primário conserva o predomínio em volume de empregos criados.
O impacto econômico da recente instalação de fábricas de cimento refletiu no setor terciário local.

A pecuária constitui outro importante aspecto econômico do município, que ostenta o título de maior produtor de gado bovino das regiões Serrana e Centro-Norte Fluminense, atualmente com um plantel que ultrapassa as 50 mil cabeças. Como conseqüência, Cantagalo também é o maior produtor de leite dessas regiões, com destaque para o quarto distrito de São Sebastião do Paraíba, onde se concentra a maior produção.

A agricultura apesar do ambiente favorável, não é praticada intensamente, limitando-se a plantação de subsistência: arroz, feijão, aipim, abóbora e milho, que é o principal produto agrícola do município.

Levantamento Socio-Econômico de Cantagalo

O território do município de Cantagalo era, primitivamente habitado pelos índios Coroados e Goitacazes que dele só desapareceram totalmente, por volta de 1855. O seu povoamento teve início em meados do século XVIII, motivado pela febre do ouro que atraía os aventureiros para os locais onde se manifestava a existência do precioso metal. Foi por essa época que o celebrizado bandoleiro português Manoel Henriques, cognominado o “Mão de Luva”, deixando as terras de Minas Gerais onde campeava com seu bando se dirigiu para esta região, em busca das vertentes dos córregos afluentes dos rios Macuco, Negro e Grande, no afã de conseguir, pela garimpagem clandestina, a riqueza fácil que as notícias, transmitidas pela voz popular, ali diziam existir. O bando de “Mão de Luva” localizou-se no lugar em que hoje se ergue a “Usina Cantagalo”, dando origem à formação de um núcleo o qual em 1784, já se compunha de umas 200 moradias, onde habitavam os aventureiros, em companhia de mulheres e crianças já dali naturais. Contra esses transgressores que fraudavam os direitos da Coroa Portuguesa, a que estava afeto o monopólio da exploração dos garimpos foram efetuadas em 1786, várias diligências que terminaram com a captura do renegado Português e seu bando.

A prisão dos aventureiros foi motivada por uma circunstância curiosa, a qual, segundo a tradição, deu origem à atual denominação do município. Após inúmeras batidas pelos matos, já bastante cansados e desanimados, os agentes do Governo se preparavam para retroceder, quando ouviram o canto de um galo. Penetrando mais à fundo na mata, encontraram, dormindo à sombra de uma árvore, um dos companheiros de “Mão de Luva”, que imediatamente foi preso. Sob promessas de liberdade e dinheiro, denunciou ele seus companheiros que foram capturados quase sem resistência, sendo todos enviados, em decreto, para a África, onde terminaram sua carreira de crimes e de aventuras. Seja verídica ou não a ocorrência pitoresca em que se teria envolvido o componente do grupo de “Mão de Luva”, o certo é que foi por volta do ano de 1786 que a localidade passou a ser denominada de Cantagalo, em substituição ao seu antigo nome de “Sertão de Macuco”.

Motivado pela fama dos riquíssimos meios auríferos, que em Cantagalo se dizia existir, começaram a afluir à localidade aventureiros de toda parte, na ambição de prosseguirem a garimpagem iniciada pelo bandido português. Dolorosa decepção, porém, lhes estava reservada, pois verificaram que os bandoleiros haviam quase esgotado os pobres filões existentes na zona.

O desenvolvimento de Cantagalo, todavia, não deve ser atribuído somente ao ouro que para lá atraiu os primeiros colonizadores. O elemento negro, introduzido mais tarde pelos colonos, representa também papel preponderante na formação de seu patrimônio Social e Econômico. Foi devido a ele que as terras do atual município se cobriram de vastas plantações de café, milho, feijão, cana-de-açúcar, mandioca, etc., situando a localidade numa das mais destacadas posições na Província, chegando mesmo, no seu período áureo a ser cognominada de Celeiro da Terra Fluminense.

O Município foi criado pelo alvará com força de lei, de 9 de março de 1814, que erigiu “em vila o arraial e distrito das Novas Minas de Cantagalo, com a denominação de – Vila de São Pedro de Cantagalo – tendo por limites todo o território que se compreende desde o rio Paraíba, no lugar em que for levantada a vila, correndo pelo alto da Serra dos Órgãos a partir com os termos das Vilas de Magé, Macuco, Macaé e Campos dos Goytacazes, até fechar no mesmo rio Paraíba, o qual servirá de divisa em toda a extensão da parte da Província de Minas Gerais, ficando compreendida neste limites a Aldeia da Pedra, que até agora pertencia ao Termo de Vila de São Salvados de Campos, que é desmembrada com todo o território do alto da serra a dentro, para ficar pertencente à Vila de São Pedro de Cantagalo e à comarca do Rio de Janeiro”. Com a abolição da escravatura, em 1888, o município sofreu um abalo econômico tremendo, de que até hoje se ressente, notadamente no setor agrícola no qual se observou a decadência geral das lavouras e o desaparecimento das grandes culturas de café. Atualmente, Cantagalo, pelo labor de seus filhos, procura se refazer do golpe econômico que o atingiu em cheio. É a redenção que começa.

Formação Administrativa

O distrito foi criado pelo alvará de 9 de outubro de 1806. O município, com sede no arraial de Novas Minas de Cantagalo e a denominação de São Pedro de Cantagalo, foi criado por força do Alvará de 9 de março de 1814. Formou-se o novo Município com território desmembrado dos termos das antigas vilas de Santo Antônio de Sá (atual Cachoeiras de Macacú) e Campos. Em virtude do Decreto Provincial de número 965, de 2 de outubro de 1857, a Vila de Cantagalo foi elevada à categoria de Cidade.

Os decretos estaduais números 286 de 29 de julho de 1891, 1, de 8 de maio e 1-A de 3 de junho de 1892, referem-se também à criação do distrito. Na divisão Administrativa do Brasil, referente ao afluente do Negro. Além desses há, ainda no ano de 1911, o município de Cantagalo figura, com os seguintes distritos: Cantagalo, Santa Rita da Floresta, Cordeiro, Macuco, Santa Rita do Rio Negro e São Sebastião.

De acordo com a divisão administrativa referente ao ano de 1933, bem como as divisões territoriais de 31 de julho de 1936 e 31 de julho de 1937 e o quadro anexo ao Decreto-lei estadual nº 392-A de 31 de março de 1938, o município de Cantagalo é constituído pelos distritos citados em 1911, acrescentando, porém o distrito de Boa Sorte. Na divisão territorial fixada pelo Decreto-lei estadual de nº 641 de 15 de dezembro de 1938, em vigor no qüinqüênio 39-43, o município figura com os distritos de Cantagalo, Floresta, Cordeiro, Macuco, Rio Negro, Euclides da Cunha e Boa Sorte.

Por força do Decreto-lei nº 1055, de 31 de dezembro de 1943, os distritos de Cordeiro e Macuco foram desmembrados do município de Cantagalo, a fim de comporem o novo Município de Cordeiro. Segundo o Decreto-lei estadual nº 1056, de 31 de dezembro do mesmo ano, que fixou o quadro da divisão territorial, judiciária e administrativa do Estado, em vigência no qüinqüênio 1944/1948, o município de Cantagalo é constituído pelos distritos de Cantagalo, Boa Sorte, Euclidelândia (Ex – Rio Negro), Santa Rita da Floresta (Ex – Floresta) e São Sebastião do Paraíba (Ex – Euclides da Cunha).

Formação Judiciária

A comarca de Cantagalo foi criada por efeito do Decreto de 15 de janeiro de 1833. segundo as divisões territoriais de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como no quadro anexo ao Decreto-lei estadual nº 392-A de 31 de março de 1938, a comarca de Cantagalo é constituída de um só termo Judiciário, a de Cantagalo. No quadro da divisão territorial fixado pelo Decreto-lei estadual nº 641 de 15 de dezembro de 1938, em vigor no qüinqüênio 1939/1943, a comarca de Cantagalo figurará com os termos de Cantagalo a Duas Barras.

De acordo com o Decreto-lei estadual nº 1056 de 31 de dezembro de 1943, que fixou o quadro de divisão territorial, judiciária e administrativa do Estado, em vigência no qüinqüênio 1944/1948, a comarca de Cantagalo é constituída pelos Termos de Cantagalo, Cordeiro, Duas Barras e São Sebastião do Alto.

Textos baseados em trabalhos dos pesquisadores Henrique Bon e Clélio Erthal